A carreira do cantor e a ciência do foguete espacial - Parte 2
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Com a dispersão da tecnologia e uma nova forma de se viver em sociedade, um novo tipo de caminho para aspirantes a cantores surgiu: as redes sociais virtuais. O Youtube tem servido como manifestação principal disso desde que a primeira pessoa teve a brilhante ideia de publicar um cover seu. Exemplos não faltam e acho que os mais marcantes são Justin Bieber e Christina Grimmie, que trilhou seu caminho na 6ª temporada do The Voice USA com seus 54950594 milhares de seguidores e fãs (o que nos remete ao texto anterior, no qual falei que as gravadoras agora só se interessam por quem já traz o público junto com a assinatura do contrato). Atualmente a coisa toda se ampliou e agora temos os cantores vindos do Vine, uma rede social que se baseia em vídeos de 6 segundos. Eu sinceramente me pergunto como a qualidade de um artista pode ser medida em 6 segundos, mas aparentemente essa nova plataforma dá certo: Shawn Mendes, a.k.a. o novo Justin Bieber (a jogada de marketing em cima dele é clara), tem gerado fãs enlouquecidas por todo o mundo e tudo começou com um cover publicado em seu Vine. 6 segundos que mudaram uma vida.
Falando em The Voice, sempre tem aqueles que buscam em um reality show musical a grande chance de mostrar seu trabalho e se lançar ao estrelato. Exemplos não faltam, inclusive minha cantora favorita, Kelly Clarkson, além de One Direction, Cher Lloyd, Daughtry, Carrie Underwood etc. E ainda no tópico de televisão, temos aqueles que começaram bem cedo e, com isso, já trilharam seu caminho artístico. A Disney é a maior potência nesse sentido, já que lançou ícones do pop como Britney Spears, Christina Aguilera e Justin Timberlake. A "fábrica Disney" não para de produzir artistas e atualmente nos trouxe pessoas como Demi Lovato e Miley Cyrus.
Existem outros caminhos para se trilhar em relação à música, claro. Tem gente que já nasce em um meio artístico e isso certamente já ajuda (Fiuk, Sandy & Jr.); tem cantores que se juntam em grupos meticulosamente formados por empresários (bandas asiáticas com 5540594 integrantes); tem cantor que lança uma música, fica famoso por um período de tempo e depois ninguém mais sabe onde ele está (Luka, Xibom Bombom) e sempre tem aqueles que só buscam os holofotes pela fama, e não por, de fato, possuir algum talento (Latino). E mesmo com todas essas alternativas, tem gente que simplesmente tenta e não consegue trilhar uma carreira artística que sequer pague as contas. Acontece.
Parando pra analisar, não era pra ser tão difícil. Com tantos caminhos possíveis, especialmente em tempos de mídias sociais, não deveria ser tão absurdamente complicado trilhar uma carreira, fazer sua música e ter fãs que admirassem seu trabalho. E aí entra a primeira grande questão da carreira do cantor: ele precisa começar sozinho. Não, não vai ter estágio, nem bolsa, nem emprego, nem absolutamente nada bancando o artista no começo. É difícil uma gravadora se interessar imediatamente por uma pessoa nova e, se você tá começando, isso indica que ainda não existem fãs, ou seja: o dinheiro sai do seu bolso. Mas de onde virá esse dinheiro? De um outro emprego que você precisa ter para bancar a sua paixão, ou seja: seu tempo nunca pertencerá inteiramente à música. E suponhamos que essa fase passou e você conseguiu se lançar: o que vai acontecer se o público não aparecer? Essa é a segunda e talvez a mais incômoda questão da carreira do artista: ele depende de seus fãs. Eu sempre achei muito falso um cantor falar que amava seus fãs, afinal, ele não os conhece, não tem relacionamento com eles, logo, como pode amar? Mas hoje eu vejo que até que deve ser verdade. Sem os fãs o artista não subsiste, não só em termos financeiros como em termos de autoestima, reconhecimento. O artista derrama seu coração na arte que faz. Sua arte acaba sendo uma parte dele que ele, voluntariamente, decidiu compartilhar com outras pessoas. Mas se não há outras pessoas, quem ouvirá o artista? Se não há reconhecimento, como compensar a ferida que o coração aberto deixou?
Não, eu não me esqueci da ciência do foguete espacial. Na verdade, a explicação para esse título é muito simples (e tosca): na língua inglesa, existe uma expressão "It's not rocket science", que indica alguma atividade que é fundamentalmente simples e o emissor quer expressar o quão simples ela é. Não é o caso da carreira musical, como já observamos. Você pode enlouquecer escolhendo a forma de entrar nela e depois perder completamente a cabeça tentando mantê-la. Eu sei pois já passei pela primeira fase disso e, sinceramente, agora não sei mais o que vou escolher ou sequer se vou seguir essa carreira. De uma coisa estou certa: a música nunca me abandonará. Mas o coração aperta quando percebo que é tão difícil poder viver disso e realizar sonhos que tenho desde criança.
Tudo que eu queria era o canto e uma plateia. Mas, pelo visto, terei que me contentar com uma vida na qual o canto é apenas um complemento, não o centro.
Parte 1 aqui.
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Já que eu falo muito, agora é sua vez de falar! :)