A carreira do cantor e a ciência do foguete espacial - Parte 1

21:59

A carreira de um cantor é uma coisa engraçada.

Desde os primeiros anos da minha adolescência eu sabia que teria que fazer uma prova chamada "vestibular" para entrar num local chamado "universidade" e, assim, ter algo conhecido como "emprego bom". Nunca questionei essa sequência e, vivendo de acordo com ela, tudo já estaria primariamente encaminhado: faculdade-estágio-emprego-fim. Na verdade, basicamente todo curso universitário segue essa cronologia. É óbvio que existem várias opções além dessas que comentei, mas, em geral, o encaminhamento é algo parecido com a sequência acima.

E quando você escolhe cantar?

Bem, também existem vários caminhos nesse caso, mas a coisa toda é um pouco mais complicada. Primeiro porque a indústria (ou o mercado) da música vende produtos conhecidos como álbuns, sejam físicos ou digitais, e para se ter um álbum se deve ter um cantor (lógico). Mas como esse cantor chega à gravadora? Afinal, não existem estágios em gravadoras. Muito pelo contrário, inclusive: hoje em dia, as grandes corporações só assinam contratos com artistas que já são reconhecidos no mercado ou em algum nicho específico de público. Antigamente, a coisa toda era uma grande questão de aposta. A gravadora encontrava algum artista bom, assinava com ele e torcia para que ele fizesse sucesso. No século XXI, elas não apostam; em vez disso, já vão diretamente no que é certo, famoso, amado. O que faz sentido, mas atrapalha um pouco quem ainda achava que um contrato vinha através de uma demo bem feita, como acontecia até os anos 00. Exemplos de artistas que seguiram um caminho parecido: Coldplay, Muse, Joy Division.

Mas apesar dos conhecidos benefícios, estar em uma gravadora não é um conto de fadas. De todo modo você vira um funcionário da corporação, precisando atender às demandas que ela exige e obedecer às limitações que ela impõe, o que, muitas vezes, tolhe a liberdade artística do cantor. É por isso que muitos cantores, especialmente em tempos de redes sociais, escolhem ser independentes, inclusive artistas que já tiveram contratos com gravadoras (Audrey Assad, Jars of Clay, Weezer). Uma coisa que eu acho fascinante dentro do universo independente é a possibilidade de o público bancar o seu álbum. Isso é absolutamente sensacional. Não existe nada mais justo que as pessoas que irão consumir sua arte pagando para ela ser feita. Isso sempre me lembra do mecenato nos tempos da Renascença. Além disso, dessa forma, a liberdade criativa é garantida e a aceitação do álbum é certa. É óbvio que, para que tudo ocorra como planejado, é necessário que você também já tenha um público que aceite pagar pelo seu trabalho. E não sei bem como funciona, mas é válido pensar em como ações promocionais tais como turnês, viagens e entrevistas com a mídia serão bancadas nesse contexto. Um exemplo desses novos artistas bancados pelo público é a cantora norte-americana Nataly Dawn. 

Só listei duas formas de se trabalhar com música e o texto já passou do tamanho planejado, portanto, a parte 2 fica para os próximos dias, ok? ;) 



Parte 2 aqui.

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